Tradição

O Ilê Axé Casa Grande atua como ponto de cultura tradicional.

LLuiz Roberto Drumond Tinoco04 de agosto de 20263 min de leitura

Por Luiz Roberto Drumond Tinoco (Babá Ifábulujé Aworeni Odusolá)
Sacerdote de Cultura Africana, Pedagogo, Historiador, Jornalista e Autor

O Ilê Axé Casa Grande – Egbé Ifá e Orishá Agbonniregun Aworeni Odusolá, localizado na Rua Casa Grande, 04 e Rua da Macumba, 02, no Centro Hípico de Tamoios, Cabo Frio/RJ, vem se consolidando como um dos mais importantes espaços de preservação das tradições africanas e afro-brasileiras na Região dos Lagos. Fundado em 1998, o terreiro reúne práticas religiosas, ações culturais, produção de conhecimento e atividades comunitárias que o caracterizam como um território de Cultura Viva.

Com raízes que dialogam com as tradições Ketu, Jeje, Nagô, Egungun, Ifá e também com o culto de Umbanda, o Axé Casa Grande mantém uma agenda contínua de rituais, celebrações, estudos e vivências que preservam elementos fundamentais da ancestralidade africana no Brasil. A casa é reconhecida por sua atuação religiosa e também pela produção intelectual de seu sacerdote, autor de obras como A Vida de um Sacerdote no Caminho da Fé – Um Sacerdote de Sucesso, Em Busca da Ancestralidade e Através do Tempo entre o Orun e o Aiyé.

Umbanda como parte da identidade religiosa da casa

O culto de Umbanda ocupa papel relevante dentro do Axé Casa Grande, integrando práticas mediúnicas, linhas de trabalho, guias espirituais e fundamentos que dialogam com a ancestralidade africana, indígena e espiritualista brasileira.
A Umbanda é estudada, vivenciada e respeitada como parte da formação religiosa da casa, contribuindo para sua diversidade litúrgica e para o acolhimento espiritual da comunidade.

O núcleo @aruandaeseusmisterios é dedicado exclusivamente ao estudo da Umbanda, oferecendo conteúdos sobre suas linhas, guias, fundamentos, ética e mistérios, ampliando o acesso ao conhecimento e fortalecendo a tradição dentro do terreiro.

Rede de estudos e difusão cultural

Além das atividades presenciais, o Ilê Axé Casa Grande ampliou sua atuação por meio de núcleos temáticos nas redes sociais, que funcionam como plataformas de estudo, pesquisa e divulgação cultural:

  • Ifá – @ifabulujeaworeni: conteúdos sobre o sistema oracular yorùbá, ética, filosofia e fundamentos.

  • Egungun – @entreooruneoaiye: reflexões sobre ancestralidade, linhagem e tradição.

  • Umbanda – @aruandaeseusmisterios: estudos sobre guias, linhas e fundamentos da Umbanda.

  • Etnia Jeje – @avozdovodun: informações sobre os Voduns e a cosmologia jeje.

  • Depoimentos – @embuscadaancestralidade: relatos de integrantes e convidados sobre vivências no Axé.

  • Vivências Culturais – @axecasagrande: registro das atividades culturais, oficinas, encontros e ações comunitárias.

Esses canais transformam o terreiro em um polo de difusão cultural, ampliando o alcance das tradições africanas e fortalecendo a educação ancestral.

Reconhecimento comunitário e relevância cultural

Com quase três décadas de atuação, o Axé Casa Grande tornou-se referência regional pela preservação das tradições afro-brasileiras e pela formação de novos sacerdotes, médiuns e pesquisadores. O espaço também se destaca pela promoção de ações sociais, rodas de conversa, oficinas culturais e atividades voltadas à valorização da identidade negra.

O reconhecimento comunitário, aliado à documentação histórica e à produção intelectual, posiciona o Ilê Axé Casa Grande como um território de Cultura Viva, mesmo antes de certificações oficiais. A casa representa um ponto de encontro entre espiritualidade, memória, educação e resistência cultural.

Entre tradição e futuro

O trabalho desenvolvido pelo Ilê Axé Casa Grande reafirma a importância dos terreiros como espaços de preservação da história africana no Brasil. Em Cabo Frio, o terreiro se destaca por manter vivas práticas ancestrais, promover formação cultural e fortalecer a identidade afro-brasileira.

A consolidação do Axé Casa Grande como território de Cultura Viva representa não apenas a continuidade de uma tradição, mas também a construção de um futuro onde a ancestralidade é reconhecida como patrimônio cultural, social e espiritual.